Reparo de menisco

Antigamente, mesmo frente a pequenas lesões, era comum a retirada de todo o menisco, “para evitar problemas futuros” porém hoje sabemos que os meniscos apresentam uma função primordial no joelho e sempre que possível, devemos preserva-los.

Reconhecer todas as características da lesão como descrito acima é de fundamental importância na escolha do tratamento.

Muitas lesões, principalmente aquelas de aspecto degenerativo, podem ocorrer de forma assintomática e serem descobertas incidentalmente ao se investigar uma dor que, no fundo, não está diretamente relacionada à lesão no menisco.

A associação de artrose, lesões de cartilagem ou até mesmo fraquezas e desequilíbrios musculares é muito comum nestes pacientes e têm muito mais influência no desenvolvimento da dor do que a lesão no menisco em si.

O tratamento cirúrgico do menisco, nestes casos pode ser bastante frustrante: a lesão é identificada durante a cirurgia, o procedimento é descrito inicialmente pela equipe médica como “bem sucedido”, mas, a médio / longo prazo, a dor pode até piorar, em decorrência da perda da função do menisco, frustrando tanto a equipe médica como o paciente.

Tratamento não cirúrgico da lesão no menisco

A lesão no menisco está muitas vezes acompanhada de um processo mais amplo de desgaste das estruturas internas do joelho e pode estar acompanhada de outros problemas na articulação, principalmente a artrose no joelho.

Em outros casos, a dor pode ser proveniente de outros problemas no joelho, incluindo traumas, condromalácia patelar ou simplesmente uma sobrecarga mecânica por deficiências musculares.

A lesão no menisco, nestes casos, pode ser simplesmente um achado de exame e operar o menisco não trará qualquer alívio da dor. Nesses casos, o tratamento deve ser direcionado à causa real da dor, não ao menisco.

Devemos considerar o tratamento não cirúrgico principalmente nas seguintes situações:

História clínica: Dor no joelho de início gradual. O paciente não sabe dizer exatamente quando começou a doer. A dor piora à noite e melhora com as atividades.

Exame físico: Dor difusa, mal localizada. Todo o joelho doi.

Exames de imagem: Lesão complexa no menisco e lesões descritas como “de aspecto degenerativo” tendem a ser conduzidas de forma não cirúrgica, bem como os pacientes com artrose no joelho.

Muitos pacientes apresentam lesões com características intermediárias entre aquelas de tratamento cirúrgico ou não cirúrgico. Nestes casos, deve-se iniciar o tratamento de forma não cirúrgica e avaliar a resposta do paciente. Se a dor melhorar, o tratamento sem cirurgia poderá ser mantido. Caso contrário, o tratamento cirúrgico pode, então, ser reconsiderado.

Tratamento cirúrgico da lesão no menisco

Usualmente, as lesões de menisco são tratadas por meio da artroscopia. O procedimento consiste na visualização das estruturas internas do joelho, através de uma microcâmera introduzida no joelho. Nos casos das suturas de meniscos, outros cortes podem ser feitos, dependendo da técnica utilizada.

As lesões do menisco podem ser tratadas cirurgicamente de duas formas:

Ressecção da lesão (meniscectomia): neste procedimento, mais simples tecnicamente, o fragmento rompido é cortado e retirado, reduzindo o tamanho do menisco. A técnica permite um retorno mais precoce às atividades. Porém, a redução do menisco aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem articular, elevando o risco futuro de desenvolvimento da artrose. Essa desvantagem aumenta proporcionalmente ao tamanho do fragmento a ser retirado;

Sutura do menisco: nesta técnica, o local lesionado recebe pontos, com o objetivo de estabilizar e permitir a cicatrização da lesão. A sutura deve ser o procedimento escolhido sempre que possível.